Acontece

Startup transforma pesquisa científica em solução para testes toxicológicos

por Paulo Vítor Soares de Souza
Publicado: 13/05/2026 - 10:20
Última modificação: 13/05/2026 - 10:20

Da bancada do laboratório ao mercado de biotecnologia, a NexusBioTox é um exemplo de como a pesquisa científica desenvolvida em ambiente universitário pode se transformar em solução concreta para demandas da indústria e da sociedade. Fundada pela pesquisadora Jerusa Maria de Oliveira Amorim, a startup atua com testes toxicológicos por métodos alternativos, com aplicações potenciais nas áreas farmacêutica, cosmética, agroquímica, ambiental e de nanotecnologia.

A proposta da empresa é oferecer avaliações de segurança mais rápidas, éticas e economicamente viáveis, antecipando riscos em novos produtos antes que empresas invistam anos e altos recursos em etapas avançadas de desenvolvimento. Jerusa lembra que a NexusBioTox nasceu de uma percepção construída dentro da própria rotina científica. “Eu percebi que aquilo que eu já fazia diariamente no laboratório poderia ser exatamente a solução que empresas e outros pesquisadores estavam buscando”, disse.

A ideia começou a ganhar forma quando Jerusa passou a enxergar a ciência também como uma possibilidade de entrega de valor ao mercado. Segundo ela, durante muito tempo existia a noção de que startup estava associada apenas à tecnologia digital ou ao desenvolvimento de softwares. Essa visão mudou após o contato com uma formação voltada à criação de startups em biotecnologia.

“A percepção de que a pesquisa poderia se tornar um negócio ocorreu ao notar o gargalo industrial nos testes de segurança e a oportunidade de substituir modelos tradicionais por alternativas sustentáveis e precisas”, afirma a pesquisadora. O avanço do projeto contou com a parceria do professor Lucas Anhezini (ICBS/Ufal) e da professora Anielle Christine, atualmente vinculada à Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que acreditaram na proposta desde a fase inicial.

O salto definitivo veio com a participação no programa Startup Nordeste, onde a equipe validou produtos mínimos viáveis,  chamados MVPs, e conquistou o primeiro cliente pagante. Para Jerusa, esse processo exigiu uma mudança de mentalidade: “Foi um processo intenso de aprendizado, que exigiu desconstruir a forma como eu via a ciência, restrita à academia, para reconstruí-la dentro da lógica do mercado”.

Testes mais rápidos, éticos e sustentáveis

A NexusBioTox atua em uma área conhecida como toxicologia alternativa. Na prática, trata-se do uso de métodos que substituem, reduzem ou refinam o uso de animais vertebrados em testes laboratoriais, seguindo os princípios internacionais dos 3Rs: Replacement (substituição), Reduction (redução) e Refinement (refinamento).

A startup utiliza modelos biológicos alternativos, como o zebrafish, conhecido como peixe-zebra, e a Drosophila, popularmente chamada de mosca-das-frutas. Jerusa explica que esses organismos apresentam similaridade genética relevante com humanos e permitem observar efeitos biológicos com maior rapidez, antes da necessidade de avançar para modelos animais mais complexos.

“A toxicologia alternativa é uma forma mais inteligente, rápida e ética de avaliar a segurança de produtos”, resume. Segundo a pesquisadora, a proposta da startup é antecipar riscos e fornecer dados de segurança mais robustos ainda nas fases iniciais do desenvolvimento.

Entre os diferenciais apontados pela equipe estão a redução de tempo, a economia e o alinhamento aos princípios éticos. A promessa é entregar resultados em seis a sete meses, enquanto métodos tradicionais podem levar anos, além de possibilitar economia de até 80% de custo por composto.

 

Veja mais em https://noticias.ufal.br/estudante/noticias/2026/5/startup-transforma-pesquisa-cientifica-em-solucao-para-testes-toxicologicos